Angola convidou o Gabão a participar no capital da futura Refinaria do Lobito, que terá capacidade para processar 200 mil barris por dia, quando estiver concluída em 2028.
A proposta foi avançada pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, esta quinta-feira, 7 de Maio, durante a Mesa Redonda Económica Angola-Gabão, realizada, em Luanda, no quadro da visita de Estado do Presidente da República Gabonesa, Brice Clotaire Oligui Nguema.
O governante justificou a iniciativa com o facto de Angola dispor actualmente de duas refinarias com capacidade ainda limitada para responder às necessidades internas e regionais.
“A participação no capital da nova Refinaria constitui igualmente uma oportunidade para o reforço da parceria estratégica entre os nossos países”, disse.
No plano das reformas estruturais, José de Lima Massano destacou que Angola privatizou participações em cerca de 100 empresas anteriormente sob domínio público, no quadro das medidas de abertura económica e de estímulo ao investimento privado.
O ministro de Estado referiu igualmente que, actualmente, é possível constituir uma empresa no país em 48 horas, com a conta de capitais aberta e o repatriamento de lucros e dividendos sem necessidade de autorização prévia do Banco Nacional de Angola.
Os sectores da energia, agricultura e agroindústria, transportes e logística, turismo e economia azul, foram apontados como pilares da cooperação estratégica entre os dois países.
José de Lima Massano sublinhou ainda que as afinidades geográficas e económicas entre Angola e o Gabão representam uma base sólida para o aprofundamento de uma parceria bilateral duradoura.
À margem do encontro, o presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Angola, Vicente Soares, admitiu que as trocas comerciais entre Angola e o Gabão são ainda bastante baixas e o investimento recíproco quase inexistente.
O responsável apontou a ausência de conectividade directa como o principal obstáculo ao incremento das relações comerciais, e reconheceu que os números do comércio bilateral quase não constam das estatísticas.
Vicente Soares deu a conhecer que está em fase final um protocolo de cooperação entre a Câmara de Comércio e Indústria de Angola e a sua congénere gabonesa, instrumento que permitirá criar um conselho de negócios bilateral entre empresários dos dois países.
Por sua vez, o ministro da Indústria e Comércio, Rui Minguêns de Oliveira, afirmou, no final do encontro, que o corredor comercial entre Cabinda e a região centro-africana demonstra a existência de oportunidades que podem ser ampliadas e formalizadas nas relações económicas bilaterais.
O governante referiu que Angola dispõe de excedentes da indústria de transformação alimentar e de produtos agrícolas com capacidade de exportação para países vizinhos, e também para o Gabão, um mercado com potencial para as exportações angolanas.
O PCA da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (AIPEX), Arlindo Rangel, afirmou que a instituição regista apenas um investimento gabonês em Angola, avaliado em cerca de 40 milhões de dólares, registado em 2021.
Sobre a mesa redonda, Arlindo Rangel referiu que criou perspectivas para o reforço do intercâmbio económico entre os dois países e defendeu a internacionalização das empresas angolanas e o aumento do investimento recíproco.