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As 7 Maravilhas de Angola

Governo 13-10-2026
DISCURSO INTEGRAL DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA, JOÃO LOURENÇO, NO FÓRUM MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO

▪️ROMA, 12 OUTUBRO 2026 ▪️

-Sua Majestade Letsie III, Rei do Lesotho,

-Sua Excelência Luis Abinader, Presidente da República Dominicana,

-Sua Excelência Delcy Rodrígues Gómez, Presidente em Exercício da República Bolivariana da Venezuela,

-Sua Excelência Maria José Pinto, Vice-Presidente do Equador,

-Sua Excelência Ellen Johnson Sirleaf, Antiga Presidente da República da Libéria,

-Excelentíssimo Senhor Qu Chu Dongyu, Director Geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura,

-Representantes das Associações Juvenis,

-Excelências,

-Minhas Senhoras, Meus Senhores,

Permitam-me agradecer ao Sr. Chu Dongyu, Director Geral da FAO, pelo convite que me endereçou e pela oportunidade que disso decorre, de poder contribuir ao debate deste ano, cujo lema “Inovar Hoje para Alimentar Amanhã” encerra uma alta transversalidade de disciplinas e apela à responsabilidades que são simultaneamente nacionais e globais.

Aceitei o convite para participar deste Fórum Mundial da Alimentação de 2026 para, juntamente com Vossas Excelências, nesta bela cidade de Roma, expressar a minha convicção de que o tema que hoje abordamos aqui vai de encontro aos grandes desafios do nosso tempo.

O Director Geral lançou esta iniciativa desde o ano de 2021, como uma plataforma voltada para a reflexão sobre os caminhos a seguir para assegurarmos que a transformação dos sistemas alimentares acompanhe as profundas mudanças económicas, sociais, ambientais e tecnológicas da nossa era.

-Minhas Senhoras, Meus Senhores,

​Olhando para o mundo dos nossos dias, observamos com inquietação os paradoxos que o caracterizam, sobretudo porque a abundância de alimentos disponível nos países desenvolvidos em virtude da sua grande capacidade tecnológica e produtiva contrasta dolorosamente com a dificuldade de acesso a alimentos de milhões de pessoas em vastas regiões do nosso planeta, que continuam confrontadas com a fome e a má nutrição.

Estamos diante de uma evidência que exige de todos nós uma atitude capaz de ajudar a pôr fim a este flagelo, que do ponto de vista moral nos impele a agir com urgência para passarmos da simples constatação dos factos para iniciativas que devem ir desde a capacitação técnica, passando pela transferência de tecnologias, até à mobilização de recursos destinados ao investimento no sector agrícola dos países menos desenvolvidos.

Além das limitações técnicas e outras, os problemas da fome devem-se também a um conjunto de outros factores ligados ao eclodir cíclico de conflitos armados com consequências negativas directas sobre a produção, que perturbam as cadeias logísticas globais de abastecimento e geram efeitos humanitários desastrosos e a ocorrência de alterações climáticas cada vez mais violentas, que trazem consigo as tempestades, chuvas torrenciais, cheias, inundações, secas severas, a desertificação e o aumento de pragas.

A segurança alimentar é um objectivo e uma prioridade que só se conseguirá concretizar com benefícios para todos, no quadro de um esforço conjugado em que, em função das responsabilidades e valências específicas de cada um, devem intervir governos, o sector privado, instituições científicas, organizações não-governamentais, a sociedade civil e outras entidades que, no seu conjunto, garantem a abordagem transversal desta importante questão e a possibilidade de uma solução integrada do problema.

É urgente trabalharmos no sentido de aperfeiçoar o modelo de cooperação internacional, que se deve orientar no sentido de abandonar a lógica assente na dominação de uns sobre outros e na obtenção de vantagens que ignoram interesses de terceiros, factos que geram tensões e inviabilizam o diálogo e a concertação necessárias à formulação e à implementação de estratégias que garantam a paz, a estabilidade e a segurança mundial, em cujo âmbito conseguiremos promover e desenvolver mais facilmente as nossas economias e acabar ou reduzir consideravelmente a fome e a miséria em diferentes nações e regiões do nosso planeta.

A erradicação do flagelo da fome no mundo exige respostas colectivas e, por esta razão, considero que este Fórum Mundial da Alimentação é a plataforma adequada para se pensar numa arquitectura de segurança alimentar que tenha em conta os factores de natureza política, financeira, técnica, científica e outros que intervêm nas capacidades de produção agrícola e no seu melhoramento em todo o mundo.

Isto coloca-nos diante da percepção de que a inovação deve ser vista de uma forma abrangente e não circunscrita apenas à sua dimensão tecnológica.

-Excelências,

África possui um enorme e vasto potencial de recursos para desenvolver uma agricultura florescente. No entanto, confronta-se com o problema da fome e da desnutrição, o que não é, a todos os títulos, aceitável, mas impõe-se que se reconheça que as realidades que se observam no continente são o reflexo da combinação dos vários factores que já enumerei, de entre os quais os conflitos armados, os problemas que decorrem das alterações climáticas e da necessidade da capacitação das pessoas para o fomento da agricultura familiar, que é, na verdade, a espinha dorsal do nosso sistema de produção alimentar.

Este é o diagnóstico dos problemas que ainda enfrentamos em África neste sector e, por isso, impõe-se-nos agora o desafio de reverter este quadro com políticas realistas concebidas com base nas nossas capacidades de utilização dos meios técnicos e tecnológicos disponíveis, no melhoramento das práticas assentes sobre os conhecimentos tradicionais e na formação das pessoas a todos os níveis.

África tem o potencial para ser o celeiro do mundo, dispõe de abundantes terras aráveis, imensos cursos de água entre rios e grandes lagos, no geral bom clima, sol.

Precisamos de investidores com recursos, tecnologia e transmissão de conhecimento aos nossos jovens para aumentarmos a produtividade por hectare, a qualidade do produto colhido e o volume global de produção, aumentar as exportações de produtos agrícolas e pecuários, contribuindo mais para a formação do Produto Interno Produto dos nossos países.
Em Angola concebemos e estamos a executar um ambicioso Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul do país (PCESSA), que abrange as províncias do Cunene, Huíla e Namibe, orçado em 4.2 mil milhões de dólares americanos, já parcialmente executado e que vai contribuir significativamente no combate contra a fome e a pobreza.

O Programa compreende a construção de albufeiras para armazenar milhões de metros cúbicos de água transferida do rio Cunene e centenas de quilómetros de canais a céu aberto para servir as pessoas e desenvolver a agricultura e pecuária em qualquer estação climática do ano.
Para o salto em frente que pretendemos dar na agropecuária em Angola, temos contado com uma forte contribuição da FAO, com a qual desenvolvemos uma cooperação profícua.

Esta cooperação tem contribuído para a definição de prioridades, cuja execução já mostrou resultados positivos que nos encorajam a prosseguir, por nos ter ajudado a alcançar um bom resultado no esforço que desenvolvemos de aproximar zonas de produção, centros de transformação alimentar e mercados.

Quero também dar destaque neste contexto à Iniciativa Hand-in-Hand e à Iniciativa AgroCorredores, por constituírem instrumentos relevantes para a promoção de oportunidades de investimento, de desenvolvimento do agronegócio e de aumento da competitividade do sector agrícola nacional.
Este processo só é funcional se conseguirmos criar corredores económicos que permitam a actividade comercial e a circulação de pessoas e bens com a fluidez que estamos a projectar para o Corredor do Lobito, que não tem apenas uma dimensão logística, pois pode estimular a criação de indústrias, novas cadeias regionais de valor ligando o potencial produtivo de diferentes países aos mercados regionais e internacionais.

O Corredor do Lobito é uma plataforma de oportunidades capaz de beneficiar as populações e de contribuir para uma maior integração económica do continente, em articulação com os mecanismos africanos existentes, de que destaco a Zona de Livre Comércio Continental Africana, que representa um vasto mercado de aproximadamente 1 bilião e meio de consumidores.

África tem objectivos claramente definidos na Agenda 2063 de desenvolvimento continental, no âmbito da qual as prioridades de maior destaque consistem na construção de infra-estruturas que intervêm muito directamente em todo o processo de criação de factores de desenvolvimento, no âmbito dos quais a agricultura assume uma importância vital.

Não temos alternativa a este caminho que temos vindo a percorrer, conscientes de que os obstáculos que vimos transpondo, resultantes de factores imprevisíveis como a seca, as inundações e outros, nos obrigam a um esforço de adaptação com recurso a tecnologias, técnicas e conhecimentos científicos que reforcem a resiliência dos sistemas alimentares globais face às intempéries.

A FAO tem, neste contexto, um papel fundamental a desempenhar, não apenas como um espaço de concertação política, mas também como plataforma para aproximar governos, o mundo académico e científico, as instituições financeiras, o sector privado e a sociedade civil na abordagem e na busca de soluções para estes problemas.

-Excelências,

Este Fórum, que tem o objectivo de providenciar uma plataforma de interacção entre os vários protagonistas dos sistemas alimentares, encerra uma abrangência que inclui o Fórum da Ciência e da Inovação e o Fórum Global da Acção Juvenil, duas iniciativas que, de forma conjugada, vão desempenhar um importante papel na concretização do lema “Inovar Hoje para Alimentar Amanhã”.

Esta edição do Fórum merece da nossa parte uma atenção muito especial por ter a particularidade de dar uma grande ênfase à investigação como meio de se promover um progresso sustentável mais equitativo e eficiente.
Também é importante para Angola, por nos dar a oportunidade de dar a conhecer aos presentes e ao mundo a nossa decisão, já concertada com a União Africana, de apresentar a engenheira angolana como concorrente ao lugar de Director Geral da FAO.

Trata-se da Embaixadora Josefa Leonel Correia Sacko, que desempenhou por três anos as funções de Secretária-Geral da Organização Inter-Africana do Café e as funções de Comissária da União Africana para Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável, de 2017 a 2024.

Por acreditarmos que, caso venha a assumir a responsabilidade de estar à frente dos destinos da FAO, fará um bom trabalho não apenas para o continente africano mas para a segurança alimentar à escala global, pedimos o apoio de todos para sua eleição.

Faço votos de que, no fim dos trabalhos deste Fórum, cheguemos a resultados que ajudem a mudar, de forma prática, o actual panorama mundial da produção de alimentos que nos conduza à segurança alimentar e a uma prosperidade partilhada à escala global.

Muito obrigado pela vossa atenção.

Fonte: CIPRA
Governo 07-10-2026
ANGOLA E TURQUIA EXPLORAM NOVAS OPORTUNIDADES NOS SECTORES ESTRATÉGICOS

O aprofundamento da cooperação entre Angola e Turquia, com particular incidência nos sectores do petróleo, gás, energia e recursos minerais, esteve em destaque na audiência concedida, nesta terça-feira, 6 de Outubro, em Luanda, pelo Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, ao Embaixador da Turquia em Angola, Ozgur Uluduz.

O encontro permitiu igualmente analisar projectos de interesse comum já existentes e identificar novas oportunidades de parceria, com vista à transformação do potencial de cooperação entre os dois países em iniciativas concretas.

À margem da audiência, o diplomata turco explicou que solicitou o encontro para conhecer pessoalmente o Ministro e abordar áreas de interesse comum entre Angola e a Turquia. Segundo Ozgur Uluduz, existe ainda um amplo potencial para o aprofundamento das relações bilaterais, sobretudo através da concretização de projectos nos sectores do petróleo, gás e energia.

“Discutimos sobre projectos que já existem e outros que possam surgir no futuro”, afirmou o Embaixador, sublinhando a importância de transformar as oportunidades identificadas em acções concretas de cooperação.

Durante a audiência, foram também abordadas questões relacionadas com a realização de visitas oficiais e deslocações de autoridades dos dois países, com o propósito de dinamizar os contactos institucionais e conferir maior impulso à cooperação bilateral.

Fonte: SECTOR IMPRENSA
Governo 06-10-2026
A ACÇÃO DA AUDA-NEPAD

PRESIDENTE JOÃO LOURENÇO APRESENTA RELATÓRIO SOBRE AS CONTRIBUIÇÕES DA AGÊNCIA PARA O DESENVOLVIMENTO DA UNIÃO AFRICANA

O Presidente da República de Angola, João Lourenço, abriu Sabado em Alamein, no Egipto, o capítulo da Cimeira Intercalar da União Africana reservado à apresentação dos Relatórios de Actividade das Comunidades Económicas Regionais, Mecanismos Regionais e demais órgãos relevantes da organização política continental.

No caso, o Chefe de Estado angolano, na sua qualidade de Presidente do Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD, deu a conhecer aos participantes a acção de maior vulto desenvolvida pela Agência de Desenvolvimento da União Africana, destacando números e actos que deixaram evidenciado o cada vez mais substantivo desempenho da AUDA-NEPAD.

Eis o referido relatório, na sua versão integral:
-Sua Excelência Évariste Ndayishimiye, Presidente da República do Burundi e Presidente em Exercício da União Africana;
-Sua Excelência Abdel Fattah El-Sisi, Presidente da República Árabe do Egipto e nosso Ilustre Anfitrião;

-Suas Excelências Chefes de Estado e de Governo;
-Sua Excelência Mahmoud Ali Youssouf, Presidente da Comissão da União Africana;
-Chefes Executivos das Comunidades Económicas Regionais e dos Mecanismos Regionais;
-Distintos convidados;
-Minhas Senhoras, Meus Senhores;

Na reunião dos Países Fundadores da NEPAD realizada ontem, tive a oportunidade de expressar o nosso profundo agradecimento a Sua Excelência o Presidente Abdel Fattah El-Sisi, ao Governo e ao povo da República Árabe do Egipto, pela hospitalidade que nos está a ser dispensada, mas mesmo assim quero reiterar neste momento a nossa satisfação pelas condições gerais que foram criadas para que se tornasse possível estarmos aqui reunidos, a fim de avaliarmos os últimos desenvolvimentos da nossa organização e tomar decisões pertinentes que contribuam para o aprofundamento da integração regional no nosso continente.

Saúdo igualmente os membros do Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD, pelo seu compromisso permanente e pela cooperação que têm prestado no exercício da supervisão política e da orientação estratégica da Agência.

Angola sente-se profundamente honrada por lhe ter sido confiada, em Fevereiro deste ano, a Presidência do Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD na sequência da notável Presidência do Egipto durante os últimos três anos.

Desde que assumimos esta responsabilidade, temo-la exercido com um forte sentido de compromisso, conscientes do importante papel que tem este Comité na liderança política e na orientação estratégica da AUDA-NEPAD.
Temos procurando trabalhar em estreita coordenação com os nossos pares, com a Comissão da União Africana e com a Agência, com o objectivo central de reforçar a instituição, aprofundar a apropriação africana do seu trabalho e acelerar a implementação das nossas prioridades continentais de desenvolvimento.

Permitam-me, neste contexto, felicitar a Directora Executiva da AUDA-NEPAD, Sua Excelência Nardos Bekele-Thomas, e toda a sua equipa, pelos esforços que têm desenvolvido para transformar as prioridades continentais em programas e projectos, na perspectiva de se obterem resultados concretos em benefício dos nossos Estados-Membros e das nossas Comunidades Económicas Regionais.

-Excelências,

Esta reunião decorre num momento particularmente exigente para o nosso continente. O contexto internacional tornou-se mais complexo e imprevisível, o financiamento do desenvolvimento encontra-se sob pressão, a competição geopolítica intensificou-se e as nossas economias estão cada vez mais expostas a choques externos que afectam o comércio, a energia, a segurança alimentar e as finanças públicas de cada uma das nossas nações.
Diante dessa realidade, só nos resta concluir que “a resiliência de África dependerá, cada vez mais, da força da sua própria integração”.

Interligar as nossas economias, expandir o comércio intra-africano, construir infra-estruturas regionais, mobilizar os nossos próprios recursos financeiros e reforçar a nossa capacidade produtiva são condições indispensáveis para que África possa determinar, com maior autonomia, o seu próprio futuro.
A Zona de Comércio Livre Continental Africana representa uma oportunidade histórica, ao criar um mercado de aproximadamente 1,4 mil milhões de pessoas, com uma previsão de crescimento em termos de comércio intra-africano de 52% até 2035.

Apesar disso, é importante que nos compenetremos de que os benefícios do mercado único africano só serão plenamente concretizados se ligarmos os nossos países através de infra-estruturas como estradas e caminhos-de-ferro que atravessem fronteiras, de energia disponível e acessível, de conectividade digital, de normas harmonizadas, de cadeias de valor regionais e de condições que permitam às nossas empresas produzir, investir e comercializar em todo o continente.

É neste contexto que descreverei, resumidamente, aspectos que considero importantes, constantes no Relatório sobre as Contribuições da AUDA-NEPAD para o Aprofundamento da Integração Regional.
Procurarei apresentar os progressos alcançados mas, também, transmitir que ainda existe uma distância considerável entre aquilo que decidimos e aquilo que conseguimos executar.

Assim, devo dizer que, de acordo com o Relatório, registaram-se progressos importantes no desenvolvimento das infra-estruturas necessárias para a interligação do nosso continente, com especial destaque para os projectos prioritários nos sectores dos transportes, energia e digitalização no âmbito do Programa para o Desenvolvimento das Infra-estruturas em África, PIDA.
De acordo com o PIDA, há realizações notáveis que devem ser referidas, tais como a harmonização de procedimentos no Corredor Abidjan–Lagos que abrange cinco Estados, a operacionalização da interligação energética Quénia – Tanzânia, a entrada em serviço da linha de transmissão de energia de 400 kW que liga Moçambique ao Malawi e a conclusão dos trabalhos de pré-viabilidade da interligação Angola-RDC entre o Soyo e o Inga.

Também merece realce o facto de o modelo de Posto Fronteiriço de Paragem Única se ter expandido em diferentes regiões do continente e de mais de 50 projectos regionais de infra-estruturas de Tecnologias de Informação e Comunicação, terem sido avaliados positivamente quanto à sua viabilidade financeira.

São passos importantes porque o nosso mercado continental não poderá funcionar eficazmente sem as infra-estruturas físicas e digitais necessárias para movimentar pessoas, bens, energia e informação através das nossas fronteiras.

A par disso, é importante destacar que continuamos a avançar na mobilização de recursos africanos para o desenvolvimento de África.
A Cimeira de Luanda sobre o Financiamento para o Desenvolvimento de Infra-estruturas em África demonstrou que é possível passar do diálogo para projectos concretos, estruturados e susceptíveis de obter financiamento para que possam ser concretizados.

A Cimeira conseguiu arrecadar 43,9 mil milhões de dólares para a construção, melhoramento e operacionalização de infra-estruturas regionais nos sectores dos transportes, energia, água e infra-estruturas digitais.
As instituições financeiras africanas estão também a assumir um papel cada vez mais relevante, pois a Aliança das Instituições Financeiras Multilaterais Africanas, AAMFI, comprometeu 1,5 mil milhões de dólares, incluindo 100 milhões de dólares para a preparação de projectos.

Devemos referir, igualmente, que a Plataforma de Garantia de Infra-estruturas pretende atingir os 10 mil milhões de dólares até 2030, com o objectivo de aumentar a participação do sector privado de 10 para 25% a fim de se proteger os investidores dos riscos existentes quando pretendam colocar o seu capital ao serviço do desenvolvimento de infra-estruturas no nosso continente.

Neste mesmo âmbito, foi ainda mobilizado financiamento adicional por via da empresa CATA Energy, que comprometeu USD 500 milhões em co-investimento.

A par disso, foi lançado o Mecanismo de Financiamento de Exportação e Comércio de Angola no valor de USD 1 mil milhões, em parceria com a Trade and Development Bank TDB e o Fundo Soberano de Angola FSDEA.
Acresce a tudo isso outros fundos, de que sobressaem activos do Fundo de Pensões num valor superior a 54 mil milhões de dólares, que foram igualmente mobilizados através da “Agenda dos 5% da AUDA-NEPAD”, o que demonstra ainda mais o potencial do capital institucional africano para contribuir para o desenvolvimento das infra-estruturas de África.

Temos cada vez mais consciência de que o nosso continente não pode alcançar as suas ambições de desenvolvimento permanecendo excessivamente dependente do financiamento externo.

Devemos, por isso, mobilizar cada vez mais o nosso próprio capital público, privado e institucional e orientá-lo para as nossas prioridades continentais.
Outro aspecto que merece destaque neste relatório de que vos estou a apresentar um resumo tem a ver com o facto de estarem a ser feitos progressos para transformar a Zona de Comércio Livre Continental Africana em oportunidades económicas concretas.

Através da Iniciativa Equipa África Africa Team, a AUDA-NEPAD trabalhou com as oito Comunidades Económicas Regionais e outras instituições continentais e consolidou uma carteira coordenada de investimentos com mais de 300 projectos regionais, avaliados em aproximadamente 500 mil milhões de dólares americanos.

Há um vasto conjunto de iniciativas que constam no relatório ao qual poderão ter acesso, por forma a conhecê-lo mais detalhadamente e constatarem que decorrem acções de grande vulto no âmbito da Zona de Comércio Livre Continental Africana, que é, na verdade, a plataforma de integração económica e impulsionadora do desenvolvimento do nosso continente.

Olhando para este mesmo relatório, considero que devem merecer realce os programas que a AUDA-NEPAD continua a promover nas áreas da educação, competências, saúde, juventude e empoderamento das mulheres.
A Iniciativa Competências para África, avaliada em mais de 100 milhões de euros, continua a implementar 48 projectos de competências em oito países.
Com estes projectos, acredito que conseguiremos reduzir ou mesmo eliminar o desfasamento existente entre as aptidões que os nossos jovens possuem e as competências de que as economias e as empresas africanas necessitam.
Poderemos, assim, transformar a vantagem de termos em África uma população muito jovem num factor de crescimento económico das nossas sociedades.

Além da iniciativa referida anteriormente, quero mencionar que foi igualmente lançado o projecto Criação de Oportunidades para Jovens e Mulheres em África, alargando o empoderamento dos jovens e das mulheres na COMESA, EAC, CEDEAO, SADC e CEEAC.

Ao mesmo tempo, foi criado o Fórum Africano de Reguladores do EFTP (Ensino e Formação Técnico-Profissional) e prosseguiram os trabalhos para regular, supervisionar, acreditar e assegurar a qualidade dos sistemas nacionais de formação técnico-profissional, bem como promover o reconhecimento transfronteiriço das qualificações.

É importante referir que estes esforços são essenciais porque a nossa agenda de integração só terá êxito se criarmos as oportunidades para os jovens e dotarmos os nossos cidadãos dos conhecimentos necessários para participarem plenamente no desenvolvimento do continente.
Outro aspecto importante constante no documento em análise e crucial para que reforcemos a responsabilização pela implementação da Agenda 2063 está ligado ao facto de que, pela primeira vez, foi elaborado o projecto de relatório continental de progresso sobre o Segundo Plano Decenal de Implementação, com base nas contribuições de 44 Estados-Membros e cinco Comunidades Económicas Regionais.

O Painel de Controlo da Agenda 2063 foi igualmente adoptado e a AUDA-NEPAD capacitou 52 Estados-Membros e todas as oito Comunidades Económicas Regionais no que diz respeito ao sistema de apresentação de relatórios.
Este é um desenvolvimento importante, na medida em que o nosso sucesso deve ser medido não pelo número de quadros, estratégias ou compromissos que adoptamos, mas sim pelos resultados que produzem para os nossos cidadãos.

-Excelências,

Os progressos que apresentei são encorajadores, mas a tarefa que temos pela frente continua a ser significativa e bastante exigente.
O primeiro ciclo bienal de apresentação de relatórios revela desafios importantes, relativos ao facto de que os nossos quadros políticos e jurídicos de integração estão a avançar mais rapidamente do que os fluxos comerciais e as transações económicas efectivas.

A par disso, o progresso entre as nossas Comunidades Económicas continua desigual.
Alguns dados do relatório com os quais temos lidado revelam que não basta um compromisso político com a integração, pois é fundamental que se promovam acções que ajudem a acelerar a implementação e a obtenção de resultados mensuráveis, agindo com um certo sentido de urgência.
Fica muito claro que devemos procurar reforçar a capacidade das nossas Comunidades Económicas Regionais e dos Estados-Membros para implementar os compromissos continentais.

Isto exige, naturalmente, uma AUDA-NEPAD forte e adequadamente dotada de recursos.
O financiamento dos Estados-Membros continua a ser central para reforçar a sustentabilidade da Agência e do sistema mais amplo da União Africana.

-Excelências,

Ao assinalarmos os vinte e cinco anos da NEPAD, devemos olhar para o caminho percorrido, reconhecer os avanços alcançados e, sobretudo, definir com clareza a orientação para a próxima etapa.
É oportuno dizer-se que a AUDA-NEPAD evoluiu significativamente e torna-se importante que se reconheça que a sua carteira de programas e investimentos aumentou exponencialmente.

Penso, em face disso, que a nossa responsabilidade agora consiste em aproveitarmos estes progressos para reafirmarmos o nosso compromisso com a integração regional e continental, reforçarmos o papel das nossas Comunidades Económicas Regionais, como veículos essenciais de implementação e mobilização de recursos africanos para prioridades africanas.

Neste contexto, é claro que devemos apoiar a AUDA-NEPAD na aceleração da execução do Segundo Plano Decenal de Implementação da Agenda 2063.
Vejo o futuro de África com grande optimismo e, por isso, coloco ênfase no facto de que, agindo juntos, podemos transformar a promessa da integração africana numa realidade de maior prosperidade, maior autonomia económica, maior resiliência e melhores oportunidades para os nossos povos.

Muito Obrigado pela Vossa Atenção!

Fonte: CIPRA
Governo 06-10-2026
CIMEIRA DA AUDA-NEPAD FINALIZOU EM ALAMEIN

PRESIDENTE JOÃO LOURENÇO PROFERIU AS PALAVRAS FINAIS
Na sua qualidade de Presidente do Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD, coube ao Presidente João Lourenço proferir a alocução que marcou o encerramento da Cimeira dos Membros Fundadores da NEPAD, ao fim da tarde deste sábado na cidade egípcia de El Alamein.

O teor da alocução é o que se segue:

-Sua Excelência Évariste Ndayishimiye, Presidente da República do Burundi e Presidente em Exercício da União Africana;
-Sua Excelência Abdel Fattah El-Sisi, Presidente da República Árabe do Egipto e anfitrião da Cimeira dos Países Fundadores da NEPAD;
-Suas Excelências Chefes de Estado e de Governo dos Países Fundadores da NEPAD;
-Sua Excelência Mahmoud Ali Youssouf, Presidente da Comissão da União Africana;
-Excelentíssima Senhora Nardos Bekele-Thomas, Diretora Executiva da AUDA-NEPAD;

-Ilustres Convidadas e Convidados;
-Minhas Senhoras, Meus Senhores;

Chegámos ao fim dos nossos trabalhos, depois de uma discussão particularmente importante e oportuna sobre os vinte e cinco anos de percurso da NEPAD e sobre o futuro da AUDA-NEPAD.

Os nossos debates permitiram-nos revisitar uma trajectória que marcou profundamente a evolução da agenda de desenvolvimento do nosso continente e, sobretudo, olhar para o futuro com sentido de responsabilidade e com a consciência clara dos desafios que temos pela frente.

As reflexões que partilhámos evidenciaram a dimensão desses desafios e confirmaram que, enquanto líderes africanos, temos perante a História uma responsabilidade que não podemos adiar.

Ouvimos a apresentação feita pela Directora Executiva sobre os progressos alcançados pela AUDA-NEPAD e sobre as reformas necessárias para torná-la mais capaz de cumprir a sua missão, bem como as nossas reflexões que sintetizaram a nossa experiência e visão, que continuam a constituir uma referência importante para o reposicionamento estratégico da Agência.
As nossas deliberações concluíram de forma inequívoca que o próximo capítulo da AUDA‑NEPAD deve ser marcado por uma apropriação africana mais firme, por maior eficácia institucional e por uma cultura de execução orientada para resultados.

A tarefa que se impõe agora é a de transformar essa orientação em resultados tangíveis, que contribuam de forma objectiva para melhoria das condições de vida dos nossos cidadãos.

Para tal, o primeiro passo a dar consiste em assegurar que a AUDA-NEPAD disponha dos recursos, das capacidades técnicas e das condições institucionais necessárias para cumprir cabalmente o mandato que lhe foi confiado.

A apropriação africana deve, por isso, traduzir-se não apenas nas prioridades que definimos, mas também na nossa disponibilidade efectiva para apoiar as instituições responsáveis pela sua implementação.

É este compromisso traduzido em apoio político, técnico e financeiro que permitirá transformar decisões em resultados e garantir que a AUDA‑NEPAD desempenhe o papel estratégico que lhe cabe, na arquitectura de desenvolvimento do continente.

O passo seguinte traz à evidência o facto de que devemos adequar o máximo possível os projectos a serem implementados à realidade dos Estados-Membros, pois a eficácia da acção continental mede-se, em última instância, pela sua capacidade de produzir resultados no terreno.
É ali junto das nossas populações que as políticas e estratégias continentais ganham expressão concreta, que os projectos são implementados, que os investimentos são realizados, que as infra-estruturas são construídas e que os cidadãos devem sentir os benefícios das decisões que tomamos a nível continental.

A AUDA-NEPAD deve ser capaz de aproximar cada vez mais as prioridades continentais às necessidades concretas dos Estados-Membros, estabelecendo uma ligação mais forte entre a visão continental e a implementação nacional.
O passo final e talvez o mais importante tem a ver com o facto de que os compromissos que resultarem desta Cimeira devem ser executados de forma efectiva.

Nenhuma declaração, por mais ambiciosa que seja, substitui o valor da implementação. A força das nossas decisões não estará apenas naquilo que decidirmos hoje, mas na capacidade que tivermos de assegurar que essas decisões sejam efectivamente cumpridas.
As deliberações desta Cimeira serão, por isso, avaliadas pela sua capacidade de reforçar a AUDA-NEPAD, melhorar a sua eficácia e produzir impactos concretos e mensuráveis.

O Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo deve continuar a assumir plenamente a sua responsabilidade de orientação política e supervisão estratégica, trabalhando de forma estreita com os Estados-Membros, com a Comissão da União Africana, com a AUDA-NEPAD e com as Comunidades Económicas Regionais, para assegurar que as orientações emanadas desta Cimeira sejam traduzidas em acções concretas com responsabilidades claras, acompanhamento regular e resultados verificáveis.

-Excelências,

-Minhas Senhoras, Meus Senhores

Os desafios que África enfrenta hoje são diferentes, em muitos aspectos, daqueles que estiveram na origem da NEPAD, mas a necessidade de liderança africana de determinação política e de capacidade de definir e executar as nossas próprias prioridades de desenvolvimento, continuarão sempre válidas.

Por isso espero que esta Cimeira marque o início de um envolvimento reforçado e regular por parte dos Membros Fundadores e dos demais Estados‑Membros, consolidando a dinâmica colectiva necessária para levar adiante a visão que nos une.

Faço votos de que El Alamein se afirme como símbolo de um novo ciclo de ambição continental e que saiamos daqui com um compromisso firme e revitalizado em prol do fortalecimento da construção de uma África mais integrada, mais próspera e mais soberana.

Muito Obrigado pela Vossa atenção!

Fonte: CIPRA

turquia.mirex.gov.ao

João Salvador dos Santos Neto



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