• DECLARAÇÕES DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA À IMPRENSA, NO FINAL DA INAUGURAÇÃO DO PARQUE FOTOVOLTAICO DO LUAU, NA PROVÍNCIA DO MOXICO LESTE | 04 DE MAIO DE 2026


    REDE GIRASSOL - Boa tarde, Senhor Presidente!
    Está inaugurada esta imponente infra-estrutura, o Parque Fotovoltaico, aqui da província do Moxico Leste, especificamente na cidade do Luau. Queria perceber do Senhor Presidente com que impressão é que fica depois desta inauguração, e quais os próximos passos do Governo no que diz respeito à electrificação das 21 províncias do país, uma vez que, até 2027, se espera que 50 por cento do país esteja electrificado?

    PRESIDENTE DA REPÚBLICA (PR) - O Executivo angolano tem vindo a fazer um grande investimento no aumento da oferta de bens essenciais à vida das pessoas e ao desenvolvimento do país. Estou a referir-me ao aumento da oferta de água, água potável, uma vez que, como se diz, água é saúde, água é vida, e também a energia eléctrica, porque a energia representa o desenvolvimento de qualquer país.

    Nós estamos interessados em ter cidadãos saudáveis, com o aumento da oferta de água, e estamos interessados em trabalhar para que o país se possa desenvolver a uma velocidade que seja satisfatória nos próximos anos. Não pode haver desenvolvimento sem energia, não pode haver economia sem energia, não pode haver indústria sem energia, e nós queremos atrair mais investimento, sobretudo no sector da indústria transformadora para transformar os bens que a agricultura produz em bens de consumo para as populações.

    Essa tendência vai continuar a nível de todo o país, para as 21 províncias, e hoje, por maioria de razão, uma vez que estamos a viver um momento em que os combustíveis fósseis estão, por um lado, escassos e, por outro lado, cada vez mais caros. O investimento em fontes alternativas - que é o caso da energia solar - faz todo o sentido. Ali aonde a energia da rede nacional não chegar, nós vamos encontrar, como alternativa, estes parques solares, sobretudo estes da última geração, que já compreendem o armazenamento da energia produzida durante o dia, para que possa ser consumida 24 sobre 24 horas.

    TV ZIMBO – Senhor Presidente, muito boa tarde! O projecto inicialmente prevê a instalação de parques solares em 60 localidades até 2027. Eu questiono: há previsões de expansão deste projecto a outras localidades, além das 60?

    PR – Já foi aqui dito que nós queremos electrificar todo o país. De concreto, temos essas 60 localidades, mas o esforço do Executivo será o de levar a energia a todo o país, não importa a fonte, se é de energia hidroeléctrica, se é energia térmica, ou se é energia fotovoltaica.

    A nossa luta é electrificar o país, levar energia eléctrica ali onde ela é necessária, onde haja pessoas, onde haja indústrias. É evidente que, embora combinemos as três fontes de produção de energia, nós estamos a privilegiar aquelas fontes que são fontes limpas, sobretudo a energia hidroeléctrica que é, digamos, a mais segura, e também a energia fotovoltaica.

    Portanto, à medida que vamos fazendo esse investimento, vamos reduzindo bastante a produção de energia na base de combustíveis fósseis. Isso é bom para o Ambiente, mas também é bom para os cofres do Estado, porque se poupa dinheiro, o combustível é caro. No caso da energia solar, a matéria-prima é esta que estamos aqui a apanhar e que, muitas vezes, a gente aproveita só para bronzear a nossa pele na praia.

    TV ZIMBO - Senhor Presidente, outra questão: a segurança destes bens é muito importante. Recentemente, assistimos a situações de vandalismo que deixaram várias zonas às escuras. Eu gostaria de saber sobre a segurança para a protecção desta infra-estrutura que está instalada num campo aberto, com mais de 60 hectares?

    PR – Eu compreendo a sua pergunta. Mas nós não vamos pôr aqui o exército, nem vamos pôr aqui a Polícia Nacional. É óbvio que deve ter alguma segurança, alguma empresa de segurança, com um certo número de homens para proteger este objectivo económico que acaba por ser estratégico. Mas a principal segurança deve ser a das comunidades. As comunidades são as que têm maior responsabilidade em garantir que este tipo de empreendimento não sofra vandalização. Os pais, as autoridades tradicionais devem, na comunidade, educar, sobretudo, os nossos jovens para a importância desses projectos que são para eles.

    Esse projecto não foi feito para mim. Esse projecto foi feito, precisa e felizmente, para as pessoas da comunidade. Embora algumas dessas venham a vandalizá-lo. Portanto, a educação é vigilância. Não basta educar, é preciso educar e vigiar. Se algum jovem comparecer na aldeia, no bairro, com um painel desses, é evidente que roubou o painel. Então, é preciso denunciar, repreender ou castigar esse mesmo prevaricador.

    TPA – O Senhor Presidente avaliou também as obras de asfaltagem de nós rodoviários, infra-estruturas que esta província muito necessita. Já há benefícios com o investimento feito? Qual é a percepção que teve, do que pôde constatar na Estrada Nacional 190, e também na Estrada Nacional 250?

    PR - Nós estamos a realizar o sonho de alargar a rede rodoviária nacional, coisa que vem sendo feita em praticamente todo o país. Leva tempo, leva o seu tempo. Se alguém disser “bom, o Senhor Presidente diz que estão a fazer, mas a estrada A ou a estrada B ainda não está asfaltada e tem muitos buracos, está intransitável…” É evidente que ainda existem essas estradas, mas existem cada vez menos, porque nós estamos todos os anos a reabilitar ou a construir novas estradas asfaltadas e não só.

    O país também não deve contar apenas com estradas asfaltadas. Depende do nível….se estrada nacional, se uma estrada interprovincial, enfim, ou se é uma estrada que liga o meio rural. Nós não vamos asfaltar uma estrada no meio rural. O importante é fazer as estradas transitáveis. Desde que elas sejam transitáveis, asfaltadas ou não, são sempre bem-vindas.

    Nós temos um país que é bastante extenso. Do Norte a Sul, do Leste ao Oeste, o nosso país é muito extenso. Por isso, contamos com diferentes modos de transporte, o rodoviário, o ferroviário, o aéreo, o fluvial, o marítimo. Todos eles são importantes, todos eles são necessários para o bem-estar das populações e para o desenvolvimento da nossa economia.

    O Caminho-de-Ferro de Benguela começa no Lobito, no litoral, e passa por aqui. Portanto, em território angolano, termina precisamente aqui, na fronteira entre Luau e o país vizinho, a RDC. Paralela à linha, sempre tivemos uma estrada que saía do Lobito ao Cuito, Bié. Mas do Cuito-Bié para o Leste do país, sempre foi difícil circular por estrada, o que está sendo corrigido neste momento.

    Nós começámos aqui, na parte Leste. Estamos a ir do Leste para Oeste, ao encontro do Cuito-Bié, que está no centro do nosso país. Como viram, já temos 62 quilómetros de estradas asfaltadas, entre o Luau e o Luacano.

    Estamos a continuar essa obra para o Lumeje-Cameia, Leua, Luena, e vamos ligar à província vizinha do Bié. Portanto, com Munhango, Cuemba, Camacupa e com o Cunje - Bié. Ou seja, vamos ter, ao lado da linha férrea, uma estrada que vai sair do Lobito, ao litoral, até aqui, ao Luau, na fronteira com o país vizinho, a RDC. Esta é uma Estrada Nacional, e depois temos outras, aqui mesmo. Estamos a construir, a reabilitar, porque ela sempre existiu, a estrada Luau/Marco 25/ Cazombo.

    Algum dia, vamos mexer também na estrada Luau/ Lago Dilolo/Cazombo, sempre a ligar ao Cazombo, e ficam como vias alternativas. Outras estradas desta nova província do Moxico Leste, desde que haja recursos para mexer nelas, vamos fazê-lo, porque rodoviária também significa desenvolvimento.

    Muito obrigado!