TPA - Muito bom dia, Senhor Presidente! Acompanhou as diversas fases da obra, com visitas de constatação in loco. Hoje, no dia em que este Palácio de Convenções é inaugurado, diante do que viu, na curta visita que fez às instalações, com que sentimento sai? Ou seja, esta é daquelas obras sobre as quais valeu a pena apostar em termos de investimento?
PR - Muito bom dia a todos os jornalistas e a todos os presentes, entidades e convidados.
Com certeza que o sentimento é de satisfação em vermos finalmente inaugurado este grande empreendimento, que já estava a fazer falta para um país como Angola, sobretudo no momento em que se abriu ao mundo. Como consequência disso, tem conseguido atrair, particularmente para a sua capital, Luanda, importantes eventos internacionais. Não vou citar aqui aqueles que já tiveram lugar nos últimos dois anos e são do conhecimento público. A diferença é que, infelizmente, nessa altura não tínhamos outra alternativa senão albergar esses mesmos eventos ou em tendas ou em hotéis.
Vamos continuar a utilizar ainda os hotéis, mas desta vez apenas para alojar os delegados. Quanto ao local de trabalho, passará a ser, daqui para frente, esta instalação que acabámos de inaugurar, que tem não apenas capacidade, mas todas as condições de trabalho e de conforto para os delegados de conferências, quer de carácter político, económico, empresarial, cultural, científico.
Portanto, todos eles vão encontrar neste espaço, sem sombra de dúvidas, as melhores condições possíveis.
Na apresentação da instalação, falou-se de um anfiteatro com uma capacidade para três mil lugares, que desta vez não visitámos, mas a Cimeira da União Africana, que vai ter lugar aqui no fim-de-semana, os delegados já vão poder ver o anfiteatro.
Acabámos de visitar - foi o último ponto - o Salão Oval, que muito nos orgulha.
Falou-se de oito salas de trabalho, mas, na realidade, não são oito, são 12 salas de trabalho. Há quatro que não ficaram prontas, mas ficarão muito em breve, por sinal, as de maior capacidade, sendo uma delas de 500 lugares, uma de 250 lugares e as outras duas de 150 lugares, cada uma delas.
Portanto, isto vem dignificar o país, mas vem dignificar, sobretudo, a cidade de Luanda.
▪️TV ZIMBO - Excelência, está inaugurado o Palácio de Convenções de Luanda. O Presidente da República acaba de descrever aqui, de forma muito detalhada, as componentes técnicas que conformam esta imponente e importante infra-estrutura estratégica do Executivo Angolano.
Pergunto: com base nestas valências, existe já alguma orientação para a atracção de grandes eventos internacionais, sobretudo cá, no nosso país, e desta forma se projectar ainda mais a imagem de Angola na arena internacional?
PR - Sim. A missão está dada ao Executivo no geral, mas muito em particular ao Ministério das Relações Exteriores, ao Ministério do Turismo e aos outros sectores que podem, com as suas congéneres internacionais, atrair conferências aqui para Luanda, utilizando estas instalações. Aliás, isso é algo que vimos fazendo mesmo antes da conclusão das instalações.
Na fase final das obras, houve já muitas organizações internacionais que vieram visitar [o Palácio de Convenções] mesmo estando ainda em obras. Qualquer uma delas, das que passaram por aqui, com certeza que aprovaram o projecto e mostraram-se interessadas em trazer as suas organizações para cá.
▪️RNA - Depois da dinâmica que tem sido aplicada pessoalmente pelo Presidente também para o sector do turismo, podemos considerar que, com a inauguração do Palácio de Convenções, aqui na Chicala, temos tudo pronto para que, de facto, o turismo de negócios e o turismo de eventos possam acontecer?
PR - Não basta ter este centro. Este centro é parte da solução, mas há algo que ainda nos falta, e daí fazermos o desafio ao sector privado. É momento de começarem a investir seriamente na hotelaria.
Todos os que utilizarem estas instalações vão precisar de estar condignamente alojados. Luanda é uma cidade capital que tem poucos hotéis. Temos o Intercontinental, o Epic Sana, o Hotel Presidente, o Hotel Bahia e pouco mais…
Há um déficit de hotéis na cidade de Luanda. Esta é a oportunidade para o sector privado investir em hotelaria. Embora tivéssemos ouvido na apresentação que o projecto privado que vai nascer aqui à volta deste centro compreende também a construção de hotéis e restaurantes, mas, de qualquer forma, continua a ser insuficiente. A cidade em si precisa de ter muito mais hotéis.
▪️REDE GIRASSOL - Angola sai da marca de destino desconhecido e passa agora a atingir a marca de destino emergente, conforme avançou o Ministério do Turismo.
Isto foi de acordo com vários pressupostos, dentre eles a massificação da marca Visit Angola. Mas segundo o mesmo Ministério, nesta altura o desafio passa pela dinamização do sector com a captação de investimento privado. A pergunta que colocamos, enquanto Rede Girassol é: que nível de prontidão Angola tem para a captação desses investimentos privados?
PR - Todo o investimento que vier será sempre insuficiente. Uma vez que o nosso turismo é nascente, o que temos de turismo para as potencialidades que existem para o nosso país é quase nada, de forma que Angola está preparada para receber o máximo de investimento privado no sector do turismo.
Mas a data de corte não pode ser considerada o dia de hoje, com a inauguração desta infra-estrutura. A data de corte começa a partir do momento em que fomos mudando o ambiente de negócios em Angola. E as coisas vão acontecendo de forma gradual. Portanto, isso não acontece num dia.
A partir do momento em que demos início ao combate à corrupção, a partir do momento em que demos isenção de vistos a cidadãos de cerca de 90 países do mundo, a partir do momento em que fizemos reformas no sentido de reduzir a burocracia na constituição de empresas e na forma de se fazer negócios em Angola…Este chamamento ao turismo e, de uma forma geral, ao investimento privado estrangeiro, começou já há alguns anos.
À medida que o tempo for passando, vai se consolidando. E hoje é muito mais visível, digamos, a confiança que os investidores estrangeiros têm em investir em vários domínios aqui no nosso país, também no sector do turismo.
Muito obrigado!