A Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, defendeu, quarta-feira, em Moçâmedes, província do Namibe, a conclusão das acções de levantamento, identificação, inventariação e classificação de todos os bens que, reunindo condições exigidas para o efeito, devam ser classificados Património Cultural e preservados para as actuais e futuras gerações.
Numa breve intervenção, na abertura da 3ª reunião da Comissão Nacional Multissectorial para a Salvaguarda do Património Cultural Mundial, a Vice-Presidente da República disse que, actualmente, Angola possui dois Patrimónios da Humanidade reconhecidos pela UNESCO: Mbanza Kongo, desde 8 de Junho de 2017, como património material, e os Sona, desde 2023, como património imaterial.
“Para a presente reunião, vamos olhar essencialmente para o ponto de situação do Projecto de Regulamento do Comité de Gestão Participativa do Centro Histórico de Mbanza Kongo, a Proposta de Relatório de Implementação das Recomendações do Comité do Património Cultural Mundial sobre Mbanza Kongo e o Ponto de Situação do Património Cultural da Província do Namibe”, sublinhou.
Esperança da Costa, que orientou a reunião na qualidade de coordenadora, falou sobre a realização do encontro na província do Namibe, onde se encontram acervos naturais e culturais de elevada relevância patrimonial.
Recuperação da Baía dos Tigres
No final da reunião, o ministro da Cultura, Filipe Zau, esclareceu que o Executivo pretende trabalhar para a recuperação da Baía dos Tigres, no Namibe, de modo que possa vir a ser um dia Património Cultural da Humanidade e entrar para a lista indicativa da UNESCO.
Sobre a Cadeia de Bentiaba, o ministro disse que, apesar de estar ocupada ainda com presos, não deixa de ser um sítio de interesse histórico.
“Queremos ver como enquadrar esta cadeia, do ponto de vista da memória histórica, das preocupações ligadas à luta de libertação, onde muitas pessoas ainda em vida foram encarceradas pela sua participação na luta da Independência”, referiu Filipe Zau, que considerou a reunião extremamente importante, em virtude de ter servido para abordar aspectos de interesse cultural, patrimonial e, também, turístico, que não deixa de ser educativo.
Maior atenção a Mbanza Kongo
De acordo com o ministro Filipe Zau, a maior atenção prendeu-se nas actividades que têm sido desenvolvidas a nível de Mbanza Kongo, relacionadas, sobretudo, com as responsabilidades na recuperação de todos os sítios, que está a ser feita de forma faseada, em consonância, também, com as dificuldades financeiras que elas envolvem.
“O aeroporto de Mbanza Kongo deverá ficar pronto este ano, no âmbito dos 50 anos da nossa Independência. Temos outros aspectos relacionados com Mbanza Kongo, que é o FestiKongo. Fizemos um balanço, cumpriu-se muito bem esta agenda, mas procuramos fazer mais nestes 50 anos do FestiKongo”, destacou Filipe Zau.