A petrolífera estatal Sonangol encerrou as operações do ano de 2024 com registo de um EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 3,4 mil milhões de dólares, quando o volume de negócios ficou na ordem de 10,5 mil milhões de dólares.
Os dados preliminares foram apresentados, ontem, em Luanda, pelo presidente do Conselho de Administração Gaspar Martins durante a habitual conferência de imprensa anual, tendo avançado indicadores satisfatórios que reforçam a capacidade da instituição em manter um posicionamento estratégico e sustentável, assegurando perspectivas positivas para um resultado líquido favorável.
A comercialização de combustíveis líquidos atingiu cinco milhões de toneladas métricas, impulsionada pelo aumento da procura interna suportada por seis terminais oceânicos, 12 instalações de combustíveis, 413 pontos de abastecimento da Sonangol e Pumangol.
A Refinaria de Luanda, disse, foi responsável por processar mais 49 mil barris por dia e uma produção efectiva de 2,3 milhões de toneladas métricas, o que permitiu a cobertura de 31 por cento das necessidades do consumo interno.
Dentro da estratégia de refinação, afirmou, a Refinaria de Cabinda que tem a sua operacionalização prevista para o segundo semestre deste ano, vai permitir contribuir com uma capacidade de refinação inicial de 30 mil barris dia, contribuindo para a auto- suficiência energética.
Decorrem ainda, afirmou, trabalhos de construção da Refinaria do Lobito com uma previsão de conclusão até 2027, e que vai permitir uma capacidade de produção de 200 mil barris por dia, e a Refinaria do Soyo prevista para 2028 com uma produção de até 100 mil barris dia.
Em relação ao programa de privatizações de activos iniciada em 2019, Gaspar Martins afirmou que até 2024, foram registadas alienações de 31 activos e participações que resultou numa arrecadação acumulada de cerca de 66,2 milhões de dólares, estando em curso a contratualização de mais um activo ainda este ano.
Quanto aos títulos de dívida pública obrigacionista, o PCA referiu que em 2024 a Sonangol assegurou o pagamento de juros das obrigações com uma taxa anual de 17,5 por cento, de mais de 13 mil milhões de kwanzas a 1.406 investidores entre os quais, 76 empresas e 1.410 particulares.
Dispersão da Sonangol em bolsa garante transparência
O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo afirmou, ontem em Luanda, que a dispersão em bolsa de 30 por cento das acções da Sonangol vai garantir maior transparência e eficiência da maior empresa do país.
Ao encerrar a cerimónia de apresentação de balanço das operações da Sonangol, Diamantino Azevedo disse que o plano prevê dispersão das acções da Sonangol em bolsa de forma faseada dentro e fora de Angola e manter a maior percentagem sobre a tutela do Estado.
Essa dispersão em bolsa, continuou, não serve apenas para o financiamento da empresa, mas também para promover um processo de transparência, compliance e eficiência.
Diamantino Azevedo defende a diversificação das fontes de energia com realce para a utilização de painéis solares para um sector mais sustentável.